Luís Fernando especial para Olla Blog.
Creio que ainda haja quem pense que idosos não têm ou não podem ter uma vida sexual como os adultos. Isso é tão introjetado culturalmente que existe até marchinha de carnaval dedicada aos velhinhos: “A pipa do vovô não sobe mais…”. Felizmente, a forma como encaramos a sexualidade entre os idosos vem mudando.
Em 1907, Alois Alzheimer definiu uma patologia resultante das “consequências naturais da senilidade”. Cem anos depois, trabalhamos com um outro paradigma. Consideramos o envelhecimento uma condição que fragiliza, não que causa a doença. Há pouco tempo, definiu-se o conceito de envelhecimento bem-sucedido, o que quer dizer que o indivíduo pode envelhecer com saúde até aproximadamente o momento da morte. Senilidade, por outro lado, hoje define o envelhecer com doenças crônicas.


Um dos objetivos da geriatria é oferecer conhecimento para os indivíduos, principalmente os que estão fora da faixa etária geriátrica, para um envelhecimento saudável. Existem, inclusive, metas já propostas para se alcançar esse estado, como manter atividades físicas frequentes, reduzir o nível de colesterol, etc. Mas vamos à sexualidade nesse contexto: da mesma maneira, há estudos demonstrando que o envelhecimento não define perdas funcionais dos órgãos sexuais, como se pensava no passado. O idoso pode manter a capacidade de ereção e, em alguns estudos, demonstrou-se que os idosos do sexo masculino podem desenvolver, inclusive, melhor controle sobre a ejaculação.
Entre as idosas, as alterações do climatério podem produzir dor no ato sexual e diminuição da libido. Contudo, na mesma medida em que o conhecimento sobre os processos fisiológicos do envelhecimento aumentaram, também avançamos em termos de medicações e terapias que podem melhorar a qualidade de vida dos indivíduos que desenvolveram algum desses sintomas. Portanto, o Viagra® e a reposição hormonal têm importante papel na melhoria da qualidade de vida e são, hoje, amplamente prescritos.

Para além das terapias medicamentosas, a orientação das modificações próprias das relações nessa fase da vida é uma abordagem importante. O idoso tem de lidar com a perda de amigos e irmãos, com um ambiente urbano muitas vezes inadequado para a lentificação de seus reflexos e da psicomotricidade, etc. A sexualidade e a libido podem ser expressão da forma como os idosos lidam com eventos de vida como esses.
Com o aparecimento de uma ideia de envelhecimento bem-sucedido, as psicoterapias ampliaram seu escopo. Originalmente, Freud tinha ressalvas quanto à aplicação da psicanálise no idoso. Com efeito, na sua época era difícil de imaginar que uma terapia demorada pudesse ter alguma indicação, já que o sujeito não sobreviveria ao processo todo. Mas acho que todos os leitores deste blog já estão cientes das últimas estatísticas do aumento da expectativa de vida em muito países, mais pronunciadamente entre os não-desenvolvidos, coisa que não existia na época em que Freud escreveu sua teoria. Hoje as psicoterapias são amplamente indicadas e podem ajudar os idosos a lidar com as circunstâncias de vida próprias de sua faixa etária.
Portanto, há sexo entre idosos e os idosos de hoje querem manter o mesmo padrão de vida sexual que tiveram durante a juventude. Melhor ainda, hoje podem fazer uso de diversas opções que seu geriatra pode lhe oferecer para uma vida sexual saudável.









