Lalai especial para Olla Blog
Hoje é meu último post neste blog e pensei bastante em como fecharia essa minha participação. Quando fui convidada para escrever, bati um pouco a cabeça sobre qual seria minha abordagem. É muito fácil falar sobre sexo, mas também muito fácil cair sempre nos mesmos temas. Como trabalho com mídias sociais, eu optei por abordar o sexo na internet e seus desdobramentos, além de gadgets para apimentar nossas relações. Foi bem divertido fazer as pesquisas e acabei me surpreendendo com o resultado de algumas buscas.
Para o último post eu decidi escrever um pouco sobre o que percebi nesse universo do sexo na internet. Assim como fora, o sexo é algo sem qualquer limite dentro da tela também, mas uma porcentagem maior libera suas fantasias apenas em suas relações virtuais. Não há como negar a segurança que a internet oferece, mas também há a limitação da experiência, afinal, nada como o contato pele na pele. O que pode se tornar um grande problema é quando a pessoa vicia em sexo (ou qualquer outra coisa) pela internet e deixa sua vida social (e real) de fora. E o sexo passa a ser algo solitário.


O que chamou minha atenção foi como, na rede, o sexo tende a caminhar para um lado mais bizarro. As fantasias se sobressaem, muitas vezes num estilo não tão saudável. São pessoas se humilhando, mutilando, sofrendo. Na internet o sadomasoquismo conquista um terreno muito mais amplo do que fora dela. A maioria das pessoas tem dentro de si uma tendência para um dos lados, sado ou masoquista, mas, por vezes, mascaramos nossos desejos e nem sempre deixamos que eles venham à tona. Pode ser o medo, a vergonha, a falta de confiança no parceiro ou mesmo a falta de um parceiro que corresponda a essas expectativas mais íntimas, que não são compartilhadas nem mesmo com o nosso travesseiro.
O sexo pode ser um grande parque de diversões, mas me questiono quando ele tende a ir para esse caminho sofredor, em que a dor é o que impera, tanto em quem gosta de causá-la, quanto para quem gosta de senti-la. De qualquer forma, isso é escolha de cada um, mas passa do limite do aceitável. Existe muita bizarrice que não causa excitação ao olhar, mas sim, aflição, nojo e por aí vai, e é sempre difícil entender o outro lado que sente prazer justamente com o extremismo. Um exemplo é o bareback, um termo americano originado da linguagem gay para descrever atos de sexo anal sem proteção. O termo é usado comumente, no entanto, para descrever qualquer tipo de penetração anal sem o uso de camisinha, com grande risco de contágio por doenças sexualmente transmissíveis, quiçá a mais notável das quais é o HIV (via wikipedia). Existe barebacking parties, em que a utilização de preservativo é proibida e, nessas festas, há sempre alguns soropositivos, pois, por incrível que pareça, a possibilidade de contrair o vírus HIV é excitante.
Esse é mais um tipo de prática sexual impossível de entender.
Já se passaram 100 anos desde que Freud escreveu “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” e ainda é algo bem atual. Qualquer que seja o extremo que escolhemos, é porque há algo mal resolvido. Não acho que o prazer tenha que estar associado à dor.
Vamos celebrar o sexo com prazer e bem resolvido, seja ele no real ou no virtual. E encerro minha temporada por aqui com um monte de beijos:

* Crédito da foto: http://www.flickr.com/photos/heftstep/3612115441/