Luís Fernando especial para Olla Blog.
Freud foi um pensador de grande importância para a psiquiatria. Em sua primeira fase, ele atribuía todo comportamento neurótico a um trauma sexual que o paciente teria vivido em sua infância, e posteriormente passou a admitir que esse trauma poderia ser imaginário. Ele tomou uma nova postura sobre a infância e identificou comportamentos sexuais que se desenvolvem no período, contrariando a noção popular de que a criança é um ser assexuado. Finalmente, construiu toda uma teoria em torno de suas observações sobre pacientes com histeria, da qual emanaram os dois pontos de vista que citei.
Suas construções levam em conta pulsões sexuais que se desenvolvem na triangulação edípica. Não se referem, na maior parte das vezes, ao ato em si, mas às consequências de fantasias de cada paciente.
Para mim, o maior mérito dele com essa técnica que desenvolveu, a psicoterapia, foi chamar a atenção dos pacientes para a necessidade de refletir a respeito de seus comportamentos e problemas. A reflexão não apenas surge quando se está sozinho em uma sala silenciosa, mas também se constrói na interação com uma outra pessoa. Isso pode ocorrer socialmente, é claro, mas também, no caso da pessoa que sofre, no contato com o psicoterapeuta.


O que isso tudo tem a ver com este blog? Freud iniciou as condições necessárias para a massificação do conceito de tabu, que ele definiu. Esse conceito, por muitos anos, foi usado para dar ensejo à liberação sexual e à superação dos preconceitos contra comportamentos relacionados com o sexo e a sexualidade. Felizmente, a psicoterapia transcendeu essas questões (que são de grande importância) para dar conta de problemas que vêm se intensificando em nosso tempo, a saber: a depressão, os transtornos de personalidade e até o crime.
Também houve, com o nascimento da psicanálise, a abertura para outros tipos de psicoterapia. Diversas linhas filosóficas tentam impor seus pontos de vista na psicoterapia, o que permitiu o nascimento da Gestalt-terapia (de bases estruturalistas), da terapia fenomenológico-existencial, da terapia cognitivo-comportamental e de diversas outras. Ainda não há evidência definitiva de que uma seja melhor que as outras, mas há mais estudos com a terapia cognitivo-comportamental e, por isso, ela está sendo cada vez mais indicada por médicos nos tratamentos.
Modernamente, também temos evidências claras do efeito das medicações, o que contribuiu para o tratamento do paciente com queixas psíquicas. Elas são consideradas, hoje, de primeira escolha para a maior parte das doenças.

As doenças são hoje relacionadas em códigos para unificação dos termos e melhor compreensão entre os médicos e pesquisadores. São os famosos Código Internacional de Doenças (CID-10) e DSM-IV. Há outros códigos regionais. Por exemplo: Cuba mantém um código próprio. Também não se usa o termo doença, mas transtorno (na tradução brasileira), em virtude de não haver uma etiologia definida para os fenômenos psíquicos patológicos.
Este post pretende dar uma base, ainda que superficial, para os que virão, pois vamos passar para uma segunda parte da minha participação aqui. Nela, pretendo me aproximar propriamente da posição médica diante dos desvios e dos diversos comportamentos relacionados com a sexualidade. Então, até lá!