Posts com a Tag ‘luís fernando’

Concluindo.

quarta-feira, dezembro 30th, 2009

Luís Fernando especial para Olla Blog.

couple-1couple-11

Com este post, termino minha contribuição e também se conclui o blog. And I gotta tell’ya, it was fun! Dividi-me em três tarefas: falar de psiquiatria sem ser absolutamente técnico, informar e sintetizar o que já havia sido dito aqui. O mais difícil foi não assumir um discurso técnico, pois com o tempo se ganha um cacoete que engessa e é quase impossível de contornar. Ou seja, foi um belo exercício e foi divertido.

O que houve aqui foi uma fotografia do nosso tempo, dos comportamentos, da música, das insatisfações. Desvios do comportamento sexual existem e vale a pena saber deles, entender como socialmente lidamos com eles, como se faz a coisa do ponto de vista médico. Mas, afinal de contas, tudo isso é para se gozar mais e melhor da presença de um companheiro, de dividir e de amar, como F. Rampazzo confidenciou em seu último post.

Existe um tipo de amor responsável, que lida com o outro sem desfaçatez ou indolência, aquele que se preocupa com a própria saúde e com a do parceiro (e, portanto, usa camisinha), é autêntico no sentido de não fazer uso dos sentimentos dos outros e não é perverso. A esse tipo dedico o que escrevi.

Desejo, com o início do ano de 2010, que meus leitores se embriaguem desse mesmo amor poético ou não, do amor real e possível, cheio de intransigências, como ele normalmente se apresenta a todos.

Total flex.

segunda-feira, dezembro 21st, 2009

Luís Fernando especial para Olla Blog.

rainbowtrianglerainbowtriangle1

Outro dia ouvi falar que uma determinada garota era flex. Eu demorei para entender a brincadeira, mas fui levado a pensar no caminho que o movimento GLS teve que atravessar para que os gays e bissexuais fossem respeitados e conseguissem, hoje, ser tratados sem preconceito. Muita gente não sabe, mas a orientação homossexual já constou de critérios diagnósticos na psiquiatria como se fosse doença, imagine só!

O tema é tão improvável para mim, que tive de fazer uma revisão breve. Como já foi dito, as classificações psiquiátricas (DSM) são úteis para aproximar a comunicação entre os médicos e para que os pacientes possam entender melhor o que é diagnosticado. No princípio do DSM, aparentemente havia mais interferência cultural entre as listagens das doenças, o que foi sendo progressivamente substituído por evidências científicas. Mas o entendimento de que a orientação sexual se tratava de doença existiu no DSM até a sua segunda versão, houve idas e vindas na terceira, mas não continuou na quarta, aquela que é utilizada atualmente na prática diária. Foi com os trabalhos pioneiros de Kinsey, com a militância de Milk e o consequente estabelecimento do movimento GLS, que houve um recuo da posição da Sociedade Americana de Psiquiatria.

Ficam, para os interessados, as inúmeras páginas da Wikipedia em inglês e os filmes “Kinsey: Vamos Falar de Sexo” e “Milk: a Voz da Igualdade” para enquadrar o tema no tempo da evolução desses conceitos.

A orientação sexual em nossa cultura tem sofrido progressivamente menos preconceito e os gays têm alcançado o seu espaço em função da ação do movimento GLS. Além disso, existem algumas evidências científicas de que essa população não se diferencia da população geral em diversos aspectos e vive uma vida saudável, ativa, produtiva e feliz. Certamente, não voltará a ser considerada doente nas próximas classificações. A tendência atual é considerar que são mais suscetíveis a certos transtornos em algumas fases da vida, mas sinceramente não é necessário evidência para tal afirmação, afinal, somos todos suscetíveis a certos transtornos em certas fases da vida, não é mesmo?

Não obstante os avanços, eventualmente são noticiadas agressões contra homo/bissexuais mesmo em São Paulo. Para isso, que haja uma polícia eficiente.

Receitas para a vida sexual.

sexta-feira, dezembro 18th, 2009

Luís Fernando especial para Olla Blog.

receitaparafazersexoreceitaparafazersexo1

Quando se procura por um psiquiatra no consultório, frequentemente é para encontrar respostas para problemas pelos quais se está passando. Como já escrevi em posts anteriores, sexo faz parte de uma vida saudável e, é claro, aparece sempre como tema em consultórios. “Como devo fazer para melhorar minha vida sexual? O que eu falo para minha parceira ou meu parceiro? Ela/ele não quer mais ter relações, perdeu o interesse em mim?”.

Sexo movimenta os relacionamentos e a diminuição do interesse sexual que surge ali pode refletir inumeráveis circunstâncias. Portanto, não existe uma resposta adequada a todos, mas, com o tempo, e conhecendo-se o paciente, pode-se tentar algum tipo de orientação.

Este espaço é prova de que podemos falar muito sobre o tema. Observem que já se passou um ano inteiro com diferentes contribuições e pontos de vista acerca dele. A internet é mesmo um bom termômetro para a coisa toda. A Lalai, por exemplo, garimpou objetos e comportamentos interessantes. Ana Laura escreveu um post engraçadíssimo sobre por que parceiros de filmes deram ou não certo. Ambas revelaram músicas para se dividir com os parceiros, e todos tentaram escrutinar o que existe no sexo que nos faz tão curiosos sobre ele.

A mesma motivação para tudo que se escreveu me parece ser aquela do paciente, mas com a particularidade que o paciente chega com um sofrimento para relatar. Ele pede respostas imediatas, uma medicação, se for possível. Mas uso o mesmo argumento da variedade e da diferença de comportamentos que agradam ou desagradam individualmente, e fico com uma resposta vaga, por obrigação, de que “senhora/senhor, não há uma resposta para sua pergunta” ou “não posso te dizer o que você deve fazer com a sua vida”.

Conversem, conversem, conversem! Fale com o seu parceiro sobre a sua insatisfação, tentem encontrar um lugar que seja confortável para ambos, não existe uma fórmula que se possa dar e que vá dar certo em qualquer circunstância ou para qualquer casal.