Luís Fernando especial para Olla Blog.


Outro dia ouvi falar que uma determinada garota era flex. Eu demorei para entender a brincadeira, mas fui levado a pensar no caminho que o movimento GLS teve que atravessar para que os gays e bissexuais fossem respeitados e conseguissem, hoje, ser tratados sem preconceito. Muita gente não sabe, mas a orientação homossexual já constou de critérios diagnósticos na psiquiatria como se fosse doença, imagine só!
O tema é tão improvável para mim, que tive de fazer uma revisão breve. Como já foi dito, as classificações psiquiátricas (DSM) são úteis para aproximar a comunicação entre os médicos e para que os pacientes possam entender melhor o que é diagnosticado. No princípio do DSM, aparentemente havia mais interferência cultural entre as listagens das doenças, o que foi sendo progressivamente substituído por evidências científicas. Mas o entendimento de que a orientação sexual se tratava de doença existiu no DSM até a sua segunda versão, houve idas e vindas na terceira, mas não continuou na quarta, aquela que é utilizada atualmente na prática diária. Foi com os trabalhos pioneiros de Kinsey, com a militância de Milk e o consequente estabelecimento do movimento GLS, que houve um recuo da posição da Sociedade Americana de Psiquiatria.
Ficam, para os interessados, as inúmeras páginas da Wikipedia em inglês e os filmes “Kinsey: Vamos Falar de Sexo” e “Milk: a Voz da Igualdade” para enquadrar o tema no tempo da evolução desses conceitos.
A orientação sexual em nossa cultura tem sofrido progressivamente menos preconceito e os gays têm alcançado o seu espaço em função da ação do movimento GLS. Além disso, existem algumas evidências científicas de que essa população não se diferencia da população geral em diversos aspectos e vive uma vida saudável, ativa, produtiva e feliz. Certamente, não voltará a ser considerada doente nas próximas classificações. A tendência atual é considerar que são mais suscetíveis a certos transtornos em algumas fases da vida, mas sinceramente não é necessário evidência para tal afirmação, afinal, somos todos suscetíveis a certos transtornos em certas fases da vida, não é mesmo?
Não obstante os avanços, eventualmente são noticiadas agressões contra homo/bissexuais mesmo em São Paulo. Para isso, que haja uma polícia eficiente.