Arquivo para agosto, 2009

Arrivederci, Italia! Hallo, Deutschland! (ou “Dois dedos de prosa sobre o desencontro”)

sexta-feira, agosto 28th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Tô de saída. Eu amei a Itália, mas continuo sem entender um cazzo qual é a deles. Quer dizer, antes de chegar aqui, ouvi tantas opiniões diferentes… E, como minhas vivências foram muito diferentes umas das outras, acho que também não sei qual a minha verdade em relação a eles.

A Itália é o lugar mais romântico em que já estive (e olha que já visitei muito lugar nesta vida, de Lisboa a Caruaru!). É bom você chegar com alguém, porque o ar de questo paese pede romance - não é de se estranhar, portanto, que os (poucos) italianos solteiros estejam sempre numa sanguinolenta caça por uma ragazza. Até rimou.

Mas, fora isso, quase todas as meninas que conheci aqui (as não-italianas, lógico) vieram para cá fugindo de um bofe destrambelhado ou de uma história de amor desastrosa.

Nina, holandesa de Amsterdã, veio para cá fugindo do atual namorado, um holandês rico e burro que, segundo ela, é tão esúpido que não é sequer capaz de entender por que ela morou um ano na África fazendo trabalho voluntário.

Anne, a alemã violonista, fugia do casamento monótono. Ela disse que acha que o marido dela nem percebeu que ela fez as malas e debandou para o sul da Itália.

Nadine, a alemã com os maiores peitos que eu já vi na vida, veio tentar esquecer o amante - ela tem 20 e poucos anos e, desde os 18, namora um cara casado, 20 anos mais velho que ela. Eu tentei encontrar, no Google Translator, uma versão em italiano para a expressão “que roubada dos infernos”, mas nada se aproximou da real situação da amiga Nadine.

Erin, a americana de Nova York, regida pelo signo de Libra, se apaixonou em Praga por um siciliano e veio para cá atrás dele, que logo depois a trocou por uma outra siciliana, de 16 anos.

Só Adriana, a americana mais destrambelhada da história, não veio fugida de nada. Ao contrário, veio para cá dar um pouco de sossego para o namorado - com a quantidade de energia que ela tem, não é de se duvidar que foi muito generoso da parte dela presentear seu namorado com a sua não-presença!

Eu também não vim fugida de nada (eu acho). A Itália é romântica, é linda, sim, mas ao contrário das minhas amigas, eu quero é fugir daqui e ir correndo para os braços do meu alemão (Lembra? Aquele que eu conheci no meu primeiríssimo dia na Europa? Pois!).

Estou na Sicília e não estou entendendo nada

quarta-feira, agosto 26th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Eu já vi umas coisas bem feias nesta vida. Sem querer, meus pobres olhos já foram
testemunhas de algumas tragédias - algumas pessoais, outras com os outros. Agora, o que eu vi aqui na Sicília foi um misto de tragédia pessoal com… tragédia visual!

Deixa eu contextualizar um pouco. Quando eu estava chegando aqui (no gerúndio, sim, porque levei metade de um dia per arivarre à Sicília), conheci uma menina no trem que me disse que aqui as mulheres são tratadas feito cocô. Ela era nascida e criada em Catânia, então imaginei que era opinião embasada.

Alguns dias depois, fui fazer uma tatuagem e fiquei amiga do tatuador. Conversa vai, conversa vem, contei a ele do assalto que sofri em Lisboa, e ele falou: “Você teve muita
sorte que eles não tocaram você” (eu sei, Fábio!). E continuou: “Mas aqui na Sicília você pode ficar tranquila. Ao contrário do resto da Europa e especialmente dos italianos do norte, nós respeitamos muito as mulheres”.

A partir daí fiquei sem referência nenhuma. Afinal, que tipo de lugar é este? Então quer
dizer que os pessoal daqui não é misógino?

E foi assim, completamente sem saber o que pensar que, um dia, subindo as montanhas de volta para casa, depois da praia, dei de cara com um homem completamente pelado, se masturbando. Eu não estava sozinha, graças a Jah - estava com minha amiga americana, Adriana.

Pois bem que, mesmo depois de nos ver, o homem não se fez de rogado e continuou seu
serviço. Ele não deu a menor bola (sem trocadilhos, por favor) para a gente! E, ao perceber que não iríamos a lugar nenhum enquanto ele não saísse dali (ele estava bem no meio do caminho, ora, bolas! Ops, outro trocadilho infame, perdão), ele simplesmente levantou com seu negócio apontando para as estrelas e saiu andando para um lugar mais tranquilo. Como se fôssemos nós que estivéssemos atrapalhando sua paz, e não o contrário.

No dia seguinte, Adriana e eu fomos à secretaria da escola onde estamos estudando
italiano contar as “novidades” e perguntar se deveríamos ir à polícia e tal. E, para
nossa surpresa, ouvimos do diretor della scuola: “Ma come chiamare la polizia? Sei in
Italia, ha voluto che cosa?”.

Tipo: Para que polícia? Vocês estão na Itália, queriam o quê?

Essa é a vida dos italianos!? Ah, tá! Mas… que cazzo tenho eu a ver com isso?

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"Ma come chiamare la polizia? Sei in Italia, ha voluto che cosa?"

"Ma come chiamare la polizia? Sei in Italia, ha voluto che cosa?"

Uma experiência “corporal” muito italiana, em Roma

segunda-feira, agosto 24th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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sainha esvoaçante

sainha esvoaçante

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Lá vinha ela toda apressada, a caminho da estação de trem. Se não corresse, certamente perderia o trem para sei-lá-onde.

Mesmo de sainha muito curta, teve que começar a correr. Em cada uma das mãos, arrastava uma mala de rodinhas, de modo que segurar a sainha voadora ficou impossível. Ela até que tentou, mas desistiu. Chegar a não-sei-onde era certamente mais importante do que cobrir as vergonhas.

Ela e sua sainha esvoaçante passaram por um ponto de táxi, enquanto o vento fazia a
gentileza de exibir aos motoristas uma piccola calcinha fio dental.

Não se ouviu uma palavra chula, um termo desrespeitoso, um palavrão. Ao contrário, o que se fez ouvir naqueles 30 segundos de uma quinta-feira qualquer em Roma foi uma calorosa salva de palmas!

P.S.: Vale deixar muito claro que a moça em questão não era eu, que eu não uso calcinha fio dental nem a pau, Juvenal!
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Segunda e terceira experiências “corporais”: Barcelona

sexta-feira, agosto 21st, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Essa foi muito difícil de digerir. Um dia, procurando o caminho para o Museu Picasso, dei de cara com um homem completamente pelado.

Eu estava perdida em ruazinhas estreitas e não exatamente movimentadas, então tomei um susto real. O homem estava conversando com dois amigos - vestidos - numa discussão muito acalorada acerca do caso Gürtel (um caso de corrupção digno de políticos brasileiros, que tinha acontecido em Valência).

O cara estava tendo uma conversa sã. Com amigos sãos. Então o fato de ele estar andando pelado na rua não queria dizer at all que ele tinha algum destrambelhamento mental.

Dois ou três dias depois, passeando pelos canteiros do Passeig de Sant Joan, vejo O Peladão de novo. Dessa vez ele vinha acompanhado de um amigo… peladão também!

Mais uma vez, ninguém além de mim deu a mínima bola para a nudez dos senhores (sim, eles não eram nada jovens).

Mas o que mais me chamou a atenção, devo dizer, é que ambos usavam sandálias tipo
Birkenstock e bolsa carteiro, que eles puxaram para a parte da frente do corpo, se é que você me entende. Não pude deixar de pensar num ridículo trocadilho: é para guardar os documentos (dã).

E tudo isso me lembrou muito o choque que eu tive com a abertura da novela “Brega e Chique”. Eu tinha uns 4 anos na época.

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[Redirecionamento para o YouTube]

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Primeira experiência “corporal”: Barcelona

quinta-feira, agosto 20th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Estava eu andando pelo Parc de la Ciutadella, em Barcelona, linda e vestida (eu, não Barcelona), quando avisto um rapaz tomando sol.

Ah, bom, nada de mais. Todos sabemos que os parques na Europa são o Guarujá deles: eles ficam lá, de biquíni, amarradões, se bronzeando.

Só que esse rapaz em questão, além do fato de ser mais branco que casca de alho, estava de cueca. Não era assim, tipo “oi, tô de sunga no parque”. Era de cueca. Branca. Daquelas velhinhas, que o tecido vai ficando transparente.

Mas tem mais. Não satisfeito, o moço - em nome de um bronzeado mais uniforme, quem sabe? - tratou de enfiar a cueca no você-sabe-o-quê!

De modo que, calcinha fio dental eu sabia o que era, mas cueca fio dental, só em Barcelona mermo.

Nem preciso dizer que só quem reparou na existência do dito mancebo fui eu. Velhinhas, crianças e todo o resto do povo passavam por ele como se nada fosse.

Estou tão confusa com tudo isso!

Para ler escutando Barcelona, de Giulia y los Tellarini.

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Barcelona

Barcelona

O corpo, para os europeus

segunda-feira, agosto 17th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Eu ainda estou me acostumando à forma com que os europeus lidam com o corpo humano. Simplesmente não entendo o desapego e (acho que é isso) a honestidade com que lidam com sua massa física.

Deixe-me explicar meu ponto de partida: no Brasil a gente adora mostrar o corpinho e os homens adoram olhar nossos corpinhos, certo? Certo. Mas, se a gente mostra demais o corpinho, eles acham que a gente é quenga e, se eles olham demais nossos corpinhos expostos, a gente se ofende.

É um jeito meio “Crime e Castigo” de lidar com a nossa porção carne e osso.

Já a Europa não é exatamente famosa por ser um lugar sexy. I mean, coisas sexy podem acontecer em todo canto o tempo todo, é claro, e um italiano narigudo numa lambreta é definitivamente sexy, mas não é por isso que o velho continente é famoso, certo? Agora, como definir a exposição de carne por aqui? Ou será que as pessoas não percebem que estão seminuas na rua? Ou será que são meus olhos brasileiros que veem sensualidade onde os outros veem… uma pessoa?

Deixe-me ir direto ao ponto do meu choque cultural: nunca vi tanta mulher andando sem sutiã como se não houvesse amanhã. Nem nunca vi bofes que não estão nem aí para isso. Hoje mesmo, vi uma senhora de 50 e poucos, de regata branca, com todo o “design” à mostra. Ela andava como se nada fosse, e seu marido nem deve ter reparado nesse detalhe. Fiquei imaginando se coisa semelhante acontecesse dentro do Shopping Iguatemi ou qualquer outro pico careta desse nosso Brasil varonil. “Olha lá que veia ridícula com as teta de fora…”.

Também nunca vi tanta mulher usando calcinha fio dental (aquela que deixa um triangulozinho aparecendo por cima da calça), shorts curtíssimos, saias curtíssimas e decotes usados com uma displicência mais do que elegante (nem todos, claro, mas a maioria sim!). De novo, fiquei imaginando se poderia pegar um busão usando um desses itens sem ser incomodada, quando voltar para casa. Aposto todos os meus dentes que não!

E depois eles dizem que brasileiro é que é sensual…

VALE DEIXAR CLARO: não acho que seja melhor aqui ou melhor no Brasil. Tô só tentando entender como as coisas são num lugar que não conheço - usando como base meu próprio referencial que é, basicamente: o corpo é sexy, o corpo é sexy, o corpo é sexy. Por isso que para mim ainda é um pouco difícil entender uma mulher que está sem sutiã e que não quer passar alguma mensagem sexual.

E, se tudo isso soar muito ignorante, me perdoem!

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O anticlímax do ano (e da vida, talvez?)

sexta-feira, agosto 14th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Você já deve ter cansado de ouvir seus amigos dizendo, quando você está perdidamente  apaixonado: “Vá com calma, não crie expectativas demais para não se decepcionar”.

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Eu tenho aprendido um montão de coisas sobre isso. Por exemplo: Lisboa. Cheguei a Portugal com um mau humor dos infernos, me perguntando “que diabos eu tô fazendo nesta cidade velha de merda que só tem colonizador frustrado?”. Uau. Que delicada,  não?

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Pois bem: paguei lindamente a minha boca. Lisboa foi - até agora - o lugar mais macio, maravilhoso, divertido e massa da minha viagem.

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E foi num estado de euforia completamente oposto que cheguei ao estádio Vicente Calderón, em Madri, para ver o show de Madonna: “UHU, VAI SER DO #%&$#***%, O SHOW DA MINHA VIDA, VOU MORRER, VOU MORRER!”.

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É, queridos leitorinhos, a rainha continua sendo a rainha, ela continua com aqueles músculos aos 50 anos. Ela continua saracoteando para cima e para baixo e arreganhando as pernas como se não houvesse amanhã. Mas eu simplesmente não consegui ver nada! Este meu curto testemunho é baseado no que me mostrou o famigerado telão.

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O estádio não teve sua lotação esgotada (vendeu 35 mil dos 50 mil ingressos). O povo disse que é a crise. Em crise estava era eu, porque, com o lugar cheio ou vazio, eu não consegui ver nem as coxas da material divorcèe.

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No show ela cantou tooodas as músicas previstas, falou “Hola, Madri” (e o povo quase morreu) e ainda fez uma homenagem ao Brasil (vi no telão), quando sacolejou uma bandeira do nosso país. As bees made in Brazil também ficaram histéricas nessa hora. E homenageou Michael Jackson, craro.

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Eu só torcia para que aquele sofrimento acabasse logo - meio como você se sente quando aceita um blind date e descobre que blind date é a coisa mais estúpida que existe e só quer que a droga da conta chegue logo.
Ou seja: da próxima vez, dê ouvidos aos seus amigos quando eles lhe disserem “Vá com calma, cara, não crie muita expectativa…”.
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Aqui está um trecho do show, minha música preferida do último disco dela, “She´s not me”:

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Madonna - She's not me

Madonna - She's not me

Modernidades (ou sou eu que sou antiquada?) no Velho Continente

quarta-feira, agosto 12th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Eu lembro que a primeira vez que ouvi a expressão “prafrentex”, nos idos da década de 80 (eu era criança, tá?), ela já me pareceu antiga, ultrapassada - ainda que se referisse às coisas mais modernas daquele tempo.

Agora quem parece antiga sou eu! Minha primeira incursão europeia tem se mostrado muito mais um desvendar de hábitos dos cidadãos comuns do que grandes descobertas culturais e artísticas (que era o que eu achava que ia acontecer).

Estou em Barcelona. Aqui ninguém me paquerou - como bem previu minha amiga Gisela Gueiros -, mas fiz amigos pelas ruas, o que é bem meu estilo. Um deles foi um alemão (mais um!) muito especial.

Nós nos conhecemos no Museu Picasso e, depois de algumas horas de boa conversa, ele me chamou para tomar um café no dia seguinte. E a conversa se estendeu por horas, até que, num dado momento (claro) começamos a falar de amor e sexo - no passado, principalmente para mim, que vivo agora um amor à distância.

Pois eis que esse alemão me conta, às gargalhadas e com uma naturalidade que eu nunca conseguiria descrever, o dia em que tentou fazer sexo com seu melhor amigo (sim, outro homem). Repare: o alemão não era gay e de certa forma estava flertando comigo, mas,  ainda assim, tinha uma mente tão aberta que para ele não cabia a possibilidade de achar que eu sairia correndo se ele me contasse algo do tipo.

Disse que não conseguiu finalizar a “pesquisa”, porque não teve ereção, mas que ele e o amigo riram muito no dia seguinte, falando a respeito. Que prafrentex, não?

Já eu, fiquei me perguntando em que lugar do mundo moderno vivo que nunca pensei que isso pudesse ser algo natural para um heterossexual - porque, veja bem, ele era super-heterossexual. A honestidade e a naturalidade do cara me encantaram. Mas, ainda assim, não consigo entender muito todo esse… desapego sexual.

Continuo minhas andanças neste velho continente e todos os dias me deparo com algo novo. Não é o máximo? Ah, semana que vem vou para a Itália. Conto as novidades para vocês de lá, em breve.

E tudo isso me fez lembrar de “O Retorno de Miguel”.

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O Retorno de Miguel

O Retorno de Miguel

Cada um tem a declaração de amor que merece

segunda-feira, agosto 10th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Palácio Pena

Palácio Pena

O amor faz a gente fazer coisas. O amor e o resto, né? Faz o pessoal perder a cabeça, magoar alguém, comer quem não devia só por vingança. Faz filhos, livros, músicas. E faz monumentos também.

O Taj Mahal é sem dúvida a mais famosa e grandiosa declaração de amor que já existiu – em forma concreta, ao menos. Mas há outra também: o Palácio da Pena, em Sintra.
O palácio foi construído no século 19, por Dom Fernando II, rei consorte, como um presente para Dona Maria II, a Louca, então rainha de Portugal – e sua mulher, claro.  A construção é de cair o queixo por sua grandiosidade e absurdidade: parece uma colagem dadaísta em versão para a arquitetura. En verdad, é um dos expoentes máximos do romantismo daquele século.

A história oficial dá conta de que o palácio tem essa mistureba porque Dom Fernando era um homem culto e gostava muito de arquitetura. Outros dizem, no entanto, que a verdade é que Dona Maria, bem lhôca, é que mandava na obra, e cada hora queria uma coisa, deixando louco o arquiteto responsável, o alemão Guilherme von Eschwege. Daí é que dá para ver, no palácio, um Netuno acompanhado de janelas mouriscas e azulejos portugueses. Dona Maria foi tipo a precursora de Dali. Hihi.

O negócio demorou 10 anos para ficar pronto para depois Dom Fernando acabar casando com outra mulher. Vê se pode… E depois a monarquia portuguesa caiu e se instaurou a república. É tão arquetípico: a gente endoida por uma pessoa, faz loucuras por ela, depois vem outra pessoa e derruba o regime e/ou a administração anterior. Para começar toda a bagunça amorosa de novo.

By the way, a segunda mulher de Dom Fernando se apossou do Palácio da Pena (e do coração do monarca, não preciso dizer). E Dona Maria, ao que parece, endoidou de vez.

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Maria e Fernando II

A verborragia portuguesa

sexta-feira, agosto 7th, 2009

Ivi Sobreira especial para Olla Blog

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Verborragia portuguesa

Verborragia portuguesa

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Em Lisboa percebi que não somente os espanhóis – que ganharam a fama – são histéricos. Os portugueses não deitaram na cama, infelizmente, mas são tão intensos e efervescentes quanto seus vizinhos da terra de Cervantes!

Basta um passeio por Lisboa (ou por qualquer outra cidade portuguesa) para perceber que os lisboetas adoram se comunicar – eles falam o tempo todo. E, achando pouco, outro maravilhoso hábito dos conterrâneos de Camões é a pichação.

Se em São Paulo temos a maravilhosa inscrição “O amor é importante, porra” por todos os lados, em Lisboa há uma variedade imensa de mensagens de autoajuda e declarações de amor. Umas mais românticas e outras bem das diretas.

A minha preferida é uma no Miradouro da Graça, bem neurótica, que suplica para uma desatenta Angela: “Angela, não percebes? Estou apaixonado por ti!”.

Há outras de cunho não tão nobre (dependendo do ponto de vista). Em Alfama, o antigo bairro dos mouros, vi uma bem recalcada: “Pedro, tu podes gostar dela, mas é de mim que ela gosta”. E ainda uma outra que fazia uma cobrança pós-coital a um anônimo: “Devolve minha calcinha, gajo”. Essa foi vista, claro, no banheiro da rodoviária de Lisboa (eu amo banheiro de rodoviária, é decadente em Paris ou em Caruaru, do mesmo jeito).

Como pode um país tão pequeno (Portugal inteiro tem uma população apenas um pouco maior que a da cidade de São Paulo) ter tanta gente maravilhosamente sensual? Me diz, Angela?

A foto que ilustra este post foi tirada deste blog aqui, ó: http://photoscriptos.blogspot.com/

(É que eu estou de férias e só trouxe minha câmera de filme…)

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Verborragia portuguesa