Arquivo para julho, 2009

“An orgasm a day keeps the doctor away!”

sexta-feira, julho 31st, 2009

.

Essa é a chamada de uma polêmica campanha lançada recentemente na Inglaterra, que, traduzida, quer dizer: “Um orgasmo por dia mantém o médico longe”.

Os folhetos foram distribuídos pelo NHS do Reino Unido – que é como o Ministério da Saúde daqui – para o novo programa de educação sexual em escolas. Nele, masturbação e sexo duas vezes por semana são recomendações aos jovens para se manter saudáveis – uma alternativa a não carregar mais os adolescentes com os famigerados alertas contra DSTs e gravidez, tornando o assunto, nas escolas, mais agradável.

O sindicato dos professores já reclamou. Acham que muitos professores se sentiriam desconfortáveis com essa abordagem, bem como os pais, que consideram o folheto liberal demais, um estímulo ao sexo precoce.

O NHS defende o material, alegando que um dos objetivos do país é encontrar melhores formas de atingir os jovens positivamente. Estão no caminho certo, não?

.

"An orgasm a day keeps the doctor away!"

"An orgasm a day keeps the doctor away!"

Mora na filosofia?

quarta-feira, julho 29th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Último post não é lá muito animado, não. Vou tentar.

.
Mora na Filosofia
Mora na Filosofia

.

Para além do “eu preciso dar?”, para além do “você não quer me comer?”, existem muitos grilos que assolam nossas cabeças quando estamos lá, à procura do sexo melhor, do sexo com amor, da companhia amorosa. Para que rimar amor com dor? Por que é tão difícil conseguir, por mais que se tente?

Existe muito mais música que fale do amor como algo difícil, triste e não-correspondido do que de um amor alegre, bem-resolvido. No livro “História Sexual da MPB”, do Rodrigo Faour (que, aliás, acho muito bom e recomendo a leitura), a teoria é de que isso é uma herança cultural, a gente cantava desde o começo e pouca gente ousou fazer diferente. Do bolerão ao sertanejo pop, o amor sempre foi uma coisa complicadérrima.

Mas é mesmo. A gente nunca sabe se deve ligar ou esperar a ligação. Ele tá mesmo a fim? E se ele não estiver? E se eu receber um não? E também - se não tentar, não vai rolar. Engula esse orgulho. Vá de cara, de novo, mergulhe. Se for sem emoção, não vai ter graça, vai? Mas o fato é que hoje nunca esteve tão fácil deixar de ligar, ignorar, desistir. Nossa tendência a rejeitar obstáculos (e o compromisso, sim, pode ser visto como um obstáculo hoje em dia) é cada vez maior. Qualquer encrenquinha, baubau. É grande o número de casamentos, é enorme o número de separações.

Que triste o que tudo isso virou, né?

Então, para terminar, ouça o grande Candeia, com o “Samba do Ovo”:

.

Samba do ovo
.

“Amor é tema tão falado,
mas ninguém
seguiu nem cumpriu a grande lei:
cada qual ama a si próprio,
“liberdade e igualdade”, onde estão,
não sei.
Mora na filosofia,
morou, Maria…
Morou, Maria?
Morou, Maria!”

.
Vocês moraram? Eu não, mas bóra continuar insistindo.

Ou o sexo está fora de moda?!

segunda-feira, julho 27th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Depois do último post, fiquei pensando, pensando… E me lembrei de algo muito curioso: o site Macumba Online.

Conhece? É um site em que você faz a macumba sem sair de casa, com um clique no mouse. Maravilhoso, né? O site já existe faz algum tempo e o que desperta a curiosidade está logo na página inicial, onde você pode ver as estatísticas do que as pessoas mais pediram até hoje.

Surpresa! Em primeiro lugar, elas querem emagrecer. Em segundo, elas querem dinheiro. Em terceiro, trazer a pessoa amada - ó, que romântico. E lá em quarto… conseguir sexo! Pior: o sexo está quase colado com o quinto lugar, que é “dar caganeira em alguém”!

Conclusões: emagrecer talvez signifique, na cabeça de alguns, automaticamente conseguir um parceiro sexual - o que não é lá bem verdade, estão aí os bears que não me deixam mentir. Trazer a pessoa amada pode significar sexo com amor, o que é fofo. Mas, no fundo, eu acho que existe muita gente rejeitada e mal amada que fica querendo dar caganeira em quem não quis fazer sexo com elas.

Portanto, da próxima vez que você achar que pegou uma infecção alimentar, pense duas vezes: vai que você rejeitou alguém recentemente?

.

despacho

despacho

Sexo nunca sai de moda. Ainda mais quando o dinheiro falta

sexta-feira, julho 24th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Existe um movimento engraçado na moda. Sempre que aparece alguma recessão e o dinheiro acaba, sabe para onde os estilistas correm?

Acertou quem respondeu que é para o sexo.

Há quem diga que é porque o sexy é o que vende mais fácil - taí a indústria pornô que não nos deixa mentir, hahaha! Todo mundo quer ser desejado, faz parte. Como jornalista, por exemplo, eu sei que uma matéria que fala sobre roupas para atrair o sexo oposto vai fazer muito mais sucesso do que, sei lá, “a nova sobriedade segundo a semana de moda de Paris”. Mas eu tenho algo a acrescentar nessa teoria.

Sexo é um divertimento barato. Só custa uma camisinha. Sério! Não precisa, necessariamente, nem gastar luz. Então, as pessoas ficam mais entediadas e tendem a querer fazer mais sexo, até mesmo como válvula de escape dos outros problemas.

Não tenho dados empíricos para comprovar isso, mas o que eu tenho para dizer a vocês é que o último desfile de alta-costura da Dior era supersensual, cheio de transparência e de lingeries aparecendo. Fica a dica.

.

Don't worry...

Don't worry...

Don’t worry…

Toda mulher quer ser feliz

quarta-feira, julho 22nd, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Eu nunca entendi muito a letra da música da Rita Lee que fala sobre Leila Diniz. A de “Todas as Mulheres do Mundo”, que diz que “toda mulher quer ser feliz e toda mulher é meio Leila Diniz”. Sabe, para mim a Leila Diniz nunca quis ser feliz. Ela sempre foi feliz naturalmente. Sem neura. Estado corriqueiro dela era dar risadão. E olha que eu não a conheci, mas sou completamente fanático por essa mulher.

A primeira vez que vi Leila (e só vi em filme e vídeo, claro, já que ela faleceu quase dez anos antes de eu nascer) foi em “Todas as Mulheres do Mundo”, o longa de Domingos de Oliveira. É uma história de amor maravilhosa, uma comédia romântica que ao mesmo tempo é uma homenagem clara do diretor, que era ex de Leila, tentando reconquistá-la. Mas o que mais chama a atenção é que, ao contrário do biquinho de Brigitte Bardot, ao contrário do ar charmosinho de Anna Karina, ao contrário do ronronar e do suspirinho de Marilyn Monroe… Leila não fazia tipo nenhum. Ela era de uma sensualidade tão bem-resolvida que ficava sensual dando gargalhadão, soltando palavrões cabeludos e até com a pior roupa do mundo.

.

O poema para uma Maria Alice nua

O poema para uma Maria Alice nua

O poema para uma Maria Alice nua

.
Eu sou tão fissurado pela Leila Diniz que já assisti a filmes que achei chatérrimos até o fim só por causa dela. Ela teve coragem de dizer várias verdades, como por exemplo: “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para a cama com outra”. É verdade mesmo, só a nossa hipocrisia que não reconhece. Leila não era exatamente uma boa atriz. Também não era um mulherão de 1m 80cm. Mas era verdadeira e carismática, deliciosamente divertida. Você percebe que era uma pessoa do bem, das que você gosta de ter por perto. Deveria existir mais gente do bem assim, né?

Por isso que eu acho que quase nenhuma mulher é meio Leila Diniz. Mas todas queriam. Os homens também. Ah, se eu conseguisse… Domingos que teve sorte. Ruy Guerra, o segundo marido, também.

.

Rapaz, ela é boa paca!

Rapaz, ela é boa paca!

Só no pianinho

segunda-feira, julho 20th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Você acha um absurdo as crianças ouvirem É o Tchan e saírem rebolando, né? Eu também acho. Apesar de samba de roda ser algo bem brasileiro, é muito mais antigo que o bumbum de Dona Carla, sem toda a pasteurização e cantado até por Maria Bethânia, sabia? É: num disco lá de 1970, com letra cheia de sensualidade.

Mas a verdade é que o É o Tchan chamava criança para dançar, ia tocar na Xuxa e isso tudo era bem esquisito. Quer dizer, antes deles, lá na década de 80, houve um especial infantil na Globo chamado “Arca de Noé”, que trazia músicas interpretadas por artistas da MPB. No meio deles, estavam As Frenéticas, cantando uma pérola de Vinícius de Moraes e Toquinho chamada “Aula de Piano”.

E que aula, viu, amiga? Trata-se de um caso bem quente entre a aluninha nova e seu professor de piano. Quem nunca se apaixonou pelo professor ou pela professora, né? Quer dizer, paixão é muito forte. Mas sim, a gente já teve tesão por algum - hahaha! Confere aí:

.

E, agora, o sol-fá para a lição acabar...

E, agora, o sol-fá para a lição acabar...

E, agora, o sol-fá para a lição acabar…

“Você não quer me comer?”

sexta-feira, julho 17th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Eu discuti aqui o “eu preciso dar?”, que é mesmo muito esquisito porque é um sinal dos novos tempos. Antes, até onde a gente lembra, o perigo de dar de primeira era justamente a pessoa que comeu sumir porque, afinal, ela já tinha conseguido o que queria. Agora, na nova conjuntura, se você não dá, existe o perigo de a pessoa sumir também, porque ORAS, você não fez o que a pessoa queria. Por que ela te ligaria?

Mas existe uma contrapartida dos dias de hoje que é, no mínimo, instigante. Agora que as pessoas estão mais saidinhas mesmo, existe a pergunta tosca que algumas fazem - não em tom exatamente sexy, mas como um questionamento de estofo moral mesmo. É o: “Você não quer me comer?”. Que ainda pode ficar pior com um mero detalhe: “MAS você não quer me comer?”.

Argh.

Queridas (e queridos): às vezes o cara simplesmente não quer te comer. Isso não quer dizer que você seja pouco atraente ou que ele é brocha ou que ele tem outra(o). Acontece. Do mesmo jeito que às vezes você não quer dar. Os dois têm direito. E não é por causa disso que deveria existir uma crise. Aliás, as pessoas são loucas para brigar e pouco dispostas a fazer as pazes. Acho tão estranho.

Mas se isso de negar fogo virar frequente… aí existe um problema. Meu conselho: parta para outra ou se fantasie de enfermeira, né? Mas não faça a fatídica pergunta, por favor – porque, se você precisou mesmo perguntar, a resposta vai ser, invariavelmente: “er, não”.

nurse2

nurse2

Eu quero um ícone gay!

quarta-feira, julho 15th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

Rock Hudson. “O Segredo de Brokeback Mountain” (protagonizado por héteros). A capa da Junior. A capa da G!

Isto é um protesto. A indústria de entretenimento não dá conta de uma imagem sexy dos gays. Ou dá?

Homens bombados. Village People?

Fora alguns poucos que saem do armário - exemplos quase únicos: Rupert Everett, George Michael e, vá lá, Lance Bass -, os homens homossexuais não possuem um modelo de sexualidade no cinema ou na música. Não existe uma unanimidade - quem é a Angelina Jolie ou o Brad Pitt dos gays? No hay banda, people. Os gays têm, como exemplares de machos desejáveis, heterossexuais.

Fica muito difícil ter uma sexualidade bem-resolvida assim. Não que Brad Pitt não seja uma imagem saudável de exemplo de sensualidade para os homens heterossexuais, mas existem filmes com homens fisicamente mais palpáveis (Jack Black?), que têm vida sexual bacana, em blockbusters - não estou incluindo filmes independentes.
Não nego a existência de “De Repente, Califórnia”, que traz um surfista lindo descobrindo sua sexualidade. É bacana. Mas precisamos de mais. Não precisamos?

.

Ok, eles são lindos...
Ok, eles são lindos...

OK, eles são lindos…

Alta voltagem: aprenda (ou não) com as mestras

segunda-feira, julho 13th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.

video_ollablog

video_ollablog

Mambo!

.

BB surgiu para o mundo, seriamente, em 1956. O furacão sexual Brigitte Bardot, comparado a um animalzinho sexual, estrelava “E Deus… Criou a Mulher”, dirigido pelo seu então marido/amante Roger Vadim (o sortudo que catou Catherine Deneuve, BB e Jane Fonda). Foi um frisson no mundo: John Lennon, por exemplo, ficou tão vidrado, que fez com que sua primeira mulher, Cynthia, fosse parecida fisicamente com a nova deusa do sexo francês.

.
O que BB fez para ser um símbolo sexual? Existiu. Era natural para ela.

.
A resposta americana veio rápido. Jayne Mansfield era a loira com o decote mais profundo do mundo. Em “Sabes o que Quero”, filme do mesmo ano - 1956 - ela contava com a ajuda de vários roqueiros, como Little Richard e Gene Vincent, para chamar a atenção do público adolescente. Mas só precisava da clássica cena da garrafa de leite transbordando ao ver o seu colo protuberante, simulando uma ejaculação, para conquistar o coração dos marmanjos. Dizem que Jayne teve um affair rápido com Lennon, inclusive, sem o conhecimento da pobre Cynthia.

.
video_ollablog2
Olha o corpo dessa loira!

.
Até hoje o ronronar dessas pioneiras faz história. Veja o exemplo de Scarlett Johansson (amem ou odeiem) em “Match Point”, de Woody Allen. Very Brigitte ou Jayne ou Marilyn ou whatever.

.
Brigitte, hoje em dia, sente o peso da idade e defende a causa dos direitos dos animais. Jayne morreu em 1967, mas antes disso caiu em participações em filmes Bs que só exploravam o seu lado sensual. Para quem quiser seguir a fórmula mesmo assim: seja loira, tenha seios fartos, use decote e faça biquinho. De preferência, na intimidade, pareça um gatinho. Faz sucesso para o sexo casual. Bom, Marilyn casou com Arthur Miller. Será?

Como ser sensual sem sê-lo. E dá para aprender?

sexta-feira, julho 10th, 2009

Jorge Wakabara especial para Olla Blog

.
video1

video1

Uma faquinha na mão e uma ideia na cabeça

.

Meiko Kaji hoje tem 62 anos e é cantora. Mas já foi atriz, e das mais eletrizantes. Com seus longos cabelos e semblante estoico, ela foi estrela de um dos estilos de cinema japoneses mais instigantes, na minha opinião: o Pinku Eiga ou Pinky Violence.

Esse estilo, forte na década de 70, se resume basicamente em alguns fatores: a história geralmente envolve máfia e criminosos, a mocinha do filme invariavelmente sofre na mãos deles de uma maneira sádica, há muito sangue e assassinato, e pitadas de sexo e nudez pipocam. A diferença entre Meiko Kaji e as outras atrizes de Pinku Eiga é que Meiko…nunca se mostrou nua!

Já assisti a alguns dos filmes com Meiko dessa época: o primeiro da sequência “Stray Cat Rock” (em que, ainda por cima, toca rock japonês, imperdível), toda a sequência de “Female Prisoner Scorpion” (clássico dos filmes de mulheres na cadeia, que sempre trazem a carcereira ou a companheira de cela lésbicas, a turminha do mal que coloca a mocinha em encrenca, etc.), “Jeans Blues: No Future” (menos Pinku Eiga, mais versão nipônica de “Bonnie and Clyde”) e “Lady Snowblood” (no qual a atriz aparece o tempo todo de quimono branco, que vai se sujando de vermelho-sangue à medida que ela mata mais gente). “Lady Snowblood” e “Female Prisoner Scorpion” são os mais cults porque inspiraram Tarantino em “Kill Bill” - a música japonesa do filme americano, “Urami Bushi”, veio deles.

Qual é o segredo de Meiko? Com seu rosto enigmático, ela pouco fala. Sempre está focada em vingança - e você sempre sabe que ela vai conseguir se vingar. Ela não é exatamente má, mas fria e calculista, sabe o que quer. Os homens a olham e a consideram um desafio. Enquanto as outras são tão fáceis, tão decifráveis, Meiko permanece ali, misteriosamente escondida. Como uma heroína de Hitchcock, será que ela esconde um vulcão por trás daquele gelo?

Para ser Meiko precisa ter carisma. Já tentei algumas vezes e aviso logo: não deu muito certo. É provável que as pessoas tenham me achado um introvertido mala.

.

“Lady Snowblood”: mais macho que muito homem
“Lady Snowblood”: mais macho que muito homem