

Mirian Bottan especial para Olla Blog
E assim, naquele clica daqui, clica dalí, num passeio pela panela virtual de amigos reais, ele topa com a foto de um belo sorriso. Depois, num bate-papo descompromissado, a dona do sorriso se revela uma garota inteligente, engraçada e de valores admiráveis.
As idéias batem. Com o passar dos dias, semanas e meses ela se torna a mulher perfeita. Tá, perfeita não, mas chega perto.
Ele mora no Sul, ela, no miolo do país, e entre contratempos daqui e de lá, por seis meses desenvolvem uma relação puramente virtual. O que não impede que o sentimento seja mais que real. E ele passa algumas horas por semana admirando as belas fotos daquela que anseia por tocar.
Até que num dia qualquer, um amigo compartilha um link, com ar penoso.
Sim, mancebo, ela é mesmo inteligente. Tão inteligente que te enganou durante esse tempo todo com um perfil fake.
As mesmas fotos, outro nome, outros amigos, com diferenciais cuja ausência o entusiasmo e o encanto não te deixaram notar, como a galera marcando encontros, a interação, a marcação de amigos na fotos, comentários dos mesmos. De repente você percebe que sequer a viu via webcam. Nunca viu aquela face tão querida se mover diante de você, em tempo real, ainda que também virtualmente.
É o mesmo nó na boca do estômago, o mesmo mal-estar por ver tudo ir ralo abaixo, mas pior: dessa vez, não vai dar pra apelar para o sentimentalismo ou tentar resolver as coisas, porque num primeiro comentário impulsivo citando o nome da verdadeira dona do sorriso, ela te bloqueou e sumiu. Nem há mais ao certo uma pessoa.
O que leva uma pessoa a criar um personagem e construir falsas relações através do mesmo nem é a questão certa a tratar. É mais uma das coisas sob as quais não temos controle, nem nunca teremos. Mas em nosso favor, podemos começar lembrando de dar mais valor às nossas relações reais. Ao barzinho da esquina, ao churrasco com os amigos, ao domingo num parque qualquer.
Talvez a internet seja a terra perfeita pra se descobrir uma receita, uma regra gramatical ou até o sentido da vida, mas certamente não é o local ideal pra achar (ou sequer buscar) o amor.
(História real, transcrita com pesar pela dona das verdadeiras fotos.)