Mirian Bottan especial para Olla Blog 
Uma prima me disse que quando se casar vai querer um banheiro para ela e um para seu marido. O motivo? Nojo de dividir o mesmo banheiro com um homem.
E fiquei matutando: como seria dizer pro marido que quer um banheiro particular porque tem nojo dele? Afinal, já vi meu pai dar siricutico só porque minha mãe queria uma tv no quarto pra poder assistir os romances enquanto ele externa a sua revolta com o mundo durante o noticiário.
Casar, morar junto, whatéva, implica em entender e aceitar que certas coisas não serão como antes. Até porque, uma divisão completamente justa em um casamento nunca será possível.
Pensa comigo: a parada começa com a completa divisão de cada conta, cada mísero gasto. Ótimo, justo. Aí ela engravida. Ele vai levar o bacurí metade da gestação na barriga? E na hora de parir? Ele toma a anestesia e ela dá a luz?
Ai nasce a criança. Oras, vão ter que revezar nas reuniões escolares, revezar pra levar ao médico e revezar nas broncas. Aí nasce a segunda criança. Agora tem que rolar um cronograma!
E ai de quem resolver ficar doente fora de hora! Não dá, né?
Numa união, de papel passado ou não, é preciso que cada um dos lados ceda, quando necessário. Não dá mais pra voltar pra casa da mãe quando a treta rola. Tem que respirar fundo e dormir na mesma cama. E querer dividir a vida como a conta do restaurante é pedir pra fracassar. Ajoelhou, bóra rezar.
Pra quem crê que um casamento à base de divisões racionais e perfeitas é o ideal, um boa sorte. Inclusive pra não fechar o ciclo com a pior delas: a de bens materiais.

